Desenvolvimento sustentável através do aprovisionamento de água potável

Este mês completamos 11 meses desde o início do nosso Projeto Piloto em Sidonge. Um projeto muito recompensador e repleto de lições muito interessantes para o nosso crescimento.

Identificámos o início de 2011 como ponto de partida para a identificação de um ou mais locais da África Oriental para o desenvolvimento do nosso Modelo de Desenvolvimento Sustentável, procurando validar três pontos essenciais da nossa solução:

  1.  A tecnologia Kudura é fiável mesmo num ambiente tão complexo como o ambiente africano
  2. Conseguimos demonstrar um impacto mensurável social e tangível, bem como um retorno do investimento ao longo do tempo
  3. Perante a possibilidade de escolha, os consumidores rurais preferem comprar e utilizar energia sustentável e serviços de água potável, fenómeno também designado por  WTP – “willingness to purchase”

Durante as próximas semanas iremos publicar um conjunto de artigos com as nossas observações. Este em particular abrange o consumo de água potável, impacto na saúde, geração de emprego e melhoria no desempenho escolar.

Água

Num artigo anterior, salientámos a forma como a solução Kudura produz água potável a partir das águas subterrâneas de Sidonge, onde tinha sido detetado tifóide e outras doenças.

O nosso ponto de partida para o estudo de impacto social, realizado durante um mês anterior à implementação do projeto piloto, indicou-nos que a população de Sidonge dependia das seguintes fontes de água para o seu dia-a-dia:

  1. Os habitantes mais pobres utilizam água não tratada charcos e rios, como ilustrado na figura à direita.
  2. As famílias com rendimentos médios percorrem distâncias mais longas, de modo a obter água de um poço com bomba, ligeiramente mais ‘limpa’.  Esta água tem um maior nível de cálcio e por isso é mais ‘dura’.
  3. As poucas famílias com rendimentos maiores têm acesso a água canalizada através de um projeto patrocinado pelo Governo que canaliza água para algumas casas. No entanto, a água apenas está disponível desta forma menos de 10 dias por mês.
Sidonge Water Hole

Charco de agua em Sidonge – Beberia agua daqui?

 

Kudura delivers potable water when needed

Kudura produz agua potavel sempre que necessario

Inicialmente, a nossa água potável e a sua fonte origem foram testadas pelo Ministério Queniano de Saúde Pública e Sanitária. Os resultados foram incríveis. O relatório pode ser consultado neste link.

Note-se que esta água foi purificada a partir de água proveniente de uma fonte como esta à direita. Difícil de acreditar, certo?

A partir do momento em que providenciamos acesso a água potável através da solução Kudura num ponto central da comunidade, muitas famílias optaram por pagar pela água, tanto por consciência como pelo menor risco  de custos adicionais relacionados com os riscos para a saúde. O consumo apenas reduziu durante a época das chuvas, em que muitas famílias optaram por capturar a água diretamente nos seus telhados, para beber. Verificámos um registo anómalo durante os meses de Julho a Setembro de 2012, onde o consumo decresceu de forma significativa. Viemos mais tarde a descobrir que o representante local dos serviços de energia estava a apropriar-se indevidamente dos fundos, facto que levou a que os locais deixassem de confiar nele. Como resultado, deixaram de comprar água. Foram então cancelados os serviços desta pessoa, por um grupo de entre-ajuda local e por um homem chamado Geoffrey Okumo. Quase de imediato, a população voltou a comprar água.

 

Geração de emprego e rendimento em Sidonge, a partir dos serviços de água

[singlepic id=269 w=320 h=240 float=left]É interessante e muito importante tomar nota de que o nosso modelo de desenvolvimento sustentável permite um número de oportunidades auxiliares aos habitantes locais, quer escolham comprar água potável ou nao. Todos os dias, por volta das 5 horas da tarde, apos a escola, as crianças verificam com o representante de energia se é necessária mais água nao tratada. Na maior parte dos dias é de facto preciso, e elas dirigem-se à fonte de àgua e enchem os bidões à mão! Por cada bidão de 20lt cheio, as crianças são pagas pelo fundo de apoio à comunidade, ganhando assim 5 a 7 xelins por bidão. Alguns estudantes chegam a somar 50 xelins num dia! Este dinheiro é depois usado para comprar material escolar como canetas e cadernos. Num dos próximos artigos iremos ver a entrevista a uma família, onde os seus indivíduos estão totalmente convencidos de que o rendimento gerado pela recolha de água não tratada, aliado ao facto de terem luz à noite para estudar está a ter um impacto muito significante nos resultados escolares deste último ano.

Este conjunto de fotografias foi obtido durante a semana passada e é ilustrativo do estado atual.[scrollGallery id=8]

Vamos também realizar um estudo de impacto social até ao final deste ano, sobre o qual teremos muito gosto em partilhar os resultados.

Os próximos artigos serão sobre os temas Energia para produzir luz e comunicações, Energia para cozinhar e A utilização e bio-fertilizante para o rejuvenescimento de terras de cultivo desgastadas.

vivian vendeirinho

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